Não quero falar sobre amor.


Sinto minha perna esquerda molhada. Com minha toalha tento secar o que está fazendo-me tremer de frio. Não há nada. Insisto em secar até que o atrito da toalha com a minha perna me aqueça e faça a temperatura subir.
O resto de meu corpo está normal e quente, embaixo das cobertas. Mas minha perna esquerda continua molhada, como se estivesse dentro de um balde com gelo. Passo minha mão por cima de minha perna e: nada. Não sei que está acontecendo.
Pego meu isqueiro e aproximo a chama de minha pele. Não sinto o calor, o frio aumenta e o gelo parece se alimentar do não-calor.
Um cheiro forte de queimado me chega de repente. Estou colocando fogo na minha coberta de lã vermelha.
Pego o copo d’água que está na mesa ao lado de minha cama e jogo em cima do fogo que começa. O fogo se apaga, mas a água molha minha perna direita.
Agora as duas estão congeladas e começo a senti-las doer.
O frio começa a agasalhar meu corpo todo, agora estou descoberta e nua na cama- encolhida.
Algo me impede de levantar e colocar roupas e pegar mais cobertas. Fico deitada com os dentes: tá tá tá tá.
Quero gritar, sair correndo, acender as luzes da casa, me esconder dentro do forno aceso. Mas algo me impede de fazer qualquer movimento.
Sinto-me cansada. A exaustão do desespero me engolfa e de repente durmo, me abraçando.
Mas sei, no momento antes do sono, que nunca mais sentirei minhas pernas do mesmo jeito. Algo mudou, de dentro para fora.

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