Sobre o cansaço.

As luzes da rua dançam aquela música que embala o carros que vão- ou voltam? Todo o meu corpo grita de cansaço. As palavras tão repetitivas, a vida: repetição.
Por favor, não me faça falar sobre esse peso que carrego. Segura, assim, minha mão e diz que as coisas vão voltar a ser como eram. Prometo que não vou pensar que é mentira e nem mesmo vou olhar para os seus olhos.
Você não tem olhos, não tem face, você é ninguém. Esse conforto e esse carinho que eu procuro nos braços deles e não acho; mas só a ínfima esperança de que talvez seja dessa vez me faz perder um pouco da tristeza. Vês? Meus olhos por alguns segundos param de salgar.
A sujeira que carrego comigo depois e para sempre é só um pouco mais de peso. O que um pouco mais de peso quando carrego o eco de todos os adeuses e a visão de todos indo embora? É nada.
Se é doença, se é loucura, se é qualquer outra coisa. Pode ser tudo, tudo, tudo. Ou nada. É, talvez seja nada.
A dança continua mesmo na pausa entre uma música e outra. Isso me deixa louca. Toda essa felicidade intocável, surreal.

Me abraça, assim, e eu juro que não vou pensar que você nem sabe o meu nome.

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