Prozac.

Tenho pensamentos rápidos de você. Pensamentos de chocolate. Sinto falta dos beijos de amor. Sinto a sua falta, meu bem.
Rolo na cama com o suor dos meses sem você. Fico no teu lado tentando achar pedaços teus no lençol que já foi lavado- maldita quem lavou os pedaços do meu passado que queria colar nesse presente escasso de felicidade que não seja fluoxetina.
Esse sol que não sei como é sol se você aqui não o vê. Para que o sol? Para que os dias?
A falta.

Manhã.

O coração acelerado, as verdades resumindo-se a apenas uma pequena e frágil- bibêlo de vidro sobre uma daquelas toalhas bordadas, eu tento acordar mais tarde para o dia durar menos. O relógio marca as sete e eu estou de pé, fazendo o café só para mim, sozinha com os meus pensamentos de vida e morte – pensamentos de café preto, sem açúcar.
Passam os minutos como coisas quaisquer e eu não sei mais o que faço além de andar pela casa vazia de vontades. Pego o telefone, um número ou outro- mas é tão cedo. Porque é tão cedo e em mim tão tarde para coisa qualquer que eu queira fazer?
São nove horas. O dia não passa. O coração não desacelera. A verdade não se quebrou- ainda.
Tic. Tac.

Eu e a outra.

Então eu saí. De mim e da outra. Saí do corpo não meu e um pouco de meu corpo que prendia e prendia e parecia nunca querer me largar. Liberteitei-me demais para depois voltar. Olhei as coisas de fora. Furacão. Saí. Olhei.
O suor que caia, fiquei olhando o desespero que o calor causava em mim. As lágrimas quentes. Os gritos sem sentido. As palavras. Olhei, ouvi tudo. Tudo tão desigual. Tudo tão não-eu.
Os cigarros fumados sem vontade de fumar- só pela ansiedade de ser fumaça. A velocidade que eu fumava os cigarros me assustou- vendo assim, de fora de mim.
Tudo me assustou, vendo de fora. Fora. Fora de mim, o susto de ver-se de fora.
O susto passado, voltei. Voltei a mim diferente do que fora e assustada com o novo. O novo sempre novo que o frio vem para mim como o novo veio para a outra em ondas. O novo.