02:22


quando? quando isso vai parar? acordo todas as noites com a sensação de que você vai voltar- que talvez esteja voltando naquele momento, um segundo antes de tocar o interfone ou bater na porta. espero. o interfone continua quieto. na porta, só o vento. as noites são frias. a nossa cama aumentou desde que você foi embora. perco-me entre cobertas, travesseiros e ausência. mesmo quando há alguém ali- como ontem- abraçando-me enquanto durmo: mesmo assim é só o vazio.
mas não. eu sei que o amor acabou. o que sinto é outra coisa. é saudade. é medo. é resquício. é um fantasma que me atormenta. lembrando-me e lembrando-me de que talvez a felicidade nunca venha para esses lados da estrada.
há o carinho. os beijos. o sexo. as tentativas todas inválidas de me fazer abrir a porta de novo.
‘sabe o que é, coração? é que da última vez que abri a porta o que parecia brisa de verão era na verdade um furacão que destruiu tudo. me fez em pedaços. quase morta que fiquei. melhor você entrar pela janela, ou ficar aí do lado de fora.
sabe o que é, coração? tem esse alarme. tem esse medo. essa tal de profecia. quando alguém chega perto demais eu recuo. transformo-me nessa mistura de tudo que eu não sou. talvez para preservar-me. ou talvez por medo. a merda: com certeza por medo.’

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2 comentários sobre “02:22

  1. Natália, todos temos esses malditos fantasmas ao calcanhar. Ou ao tornozelo. O fantasma é uma tornozeleira sadomasô…(Vejo a Rebecca em cima de mim – beijo!)

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