The same old thing.

É o cansaço colado as pálpebras de querer não mais olhar. É abraçada a uma tristeza ímpar que passo as noites olhando o escuro. Os dias passam sem gosto e sem cor. Um atrás do outro.
Nada me satisfaz e nada me desaponta. Vivo em papel almaço depois de tanto me encolher em sujos guardanapos.
As luzes de Natal começaram a ser colocadas. Meu aniversário chegou. O verão bateu a minha porta cheio de suor e mau humor.
A tristeza transformou-se: de avassaladora à amena. Mas não deixou de existir. Constante em minha equação onde todo o resto é variável.
E eu fiquei aqui. No mesmo lugar. Aqui dentro. Com a mesma vontade de morte pelo amor excessivo pela vida.

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Mad world.

Era preciso um tremendo esforço para levantar-me da cama e atender o interfone que gritava alto na parede da cozinha. Todo dia tenho que reaprender a andar- meus pés tem o peso de todos os sonhos que sonhei no mundo perfeito dos meus olhos fechados. As minhas pálpebras deixam o monstro do lado de fora.

Esse apartamento que odeio. Essa cama que é pequena demais para abrigar nós duas e os trinta e oito fantasmas. Esse cobertor xadrez que cobre a janela. Essa parede da cor errada. Esse ventilador que incomoda meus olhos. Essas lentes de contato vencidas há meses. Essa tatuagem sempre inacabada. Essa merda toda.

O medo do claro. O pavor de tudo que é exterior a mim. E, enfim: o pavor de mim mesma.

Que venham os sonhos. Que parem os gritos vindo da parede da cozinha.