Nós.

Agora que todas as luzes da casa se apagaram posso te olhar sem medo. A gata dorme enrolada nos meus pés e de vez em quando morde-me os dedos. Fico apoiada na minha mão direita olhando teu rosto em seu estado mais puro. Essa sua beleza sem vontade é o que me mata de sorrisos nas madrugadas de sábado. Abre os olhos por uns instantes e olhando para além de mim diz algo sobre estarmos sozinhas, só nós duas. E estamos mesmo. Esse apartamento, esse bairro, essa cidade não significam nada para mim além dos lugares onde vivi ao teu lado. Esse mundo e tantos outros só existem em mim quando te uso como referência. Essas verdades absolutas que fala enquanto dorme e que me deixam pensando na incapacidade que existe em mim de viver outra vida que não essa. Dorme, querida, que nessa madrugada de sábado não existe ninguém além de nós duas.

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