Deixa chover.


“Tudo se encaminha para o final, no cenário, um final apropriado. Por toda parte, imperceptivelmente ou não, as coisas estão passando, acabando, indo embora. E haverá outros verões, outros espetáculos de bandas, mas aquele ali, nunca mais, nunca mais como agora. No próximo ano eu não serei a pessoa que sou este ano. E por isso dou risada do que é passageiro, efêmero; rio enquanto seguro carinhosamente, como um tolo segura seu brinquedo, o copo rachado pelo qual a água escorre entre meus dedos. Apesar de toda a literatura, de todas as invenções de meios para expressar e transmitir e registrar a vida, é a vida que há nisso tudo que é o truque. Ela passa, apesar dos sonhos que você usa para anestesiar as dores e mágoas, ela vai embora. Iluda-se com ilhas impressas de permanência. Você só tem o tempo de uma vida. Está conseguindo realizar o seu sonho. As coisas estão funcionando, forças cegas, mas nenhuma força pessoal espiritual beneficente exceto seu própria inteligência e a boa vontade de alguns poucos malucos seus semelhantes. Aproveite enquanto é tempo.”

D’Os diários de Sylvia Plath.

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