Live bed show.

Aconteceu tão rápido.  Quando acordei o calendário delatou: dois anos passados.  Era verão  e o calor me fazia suja e incostante. Dois mil e oito e nem mesmo o sol pode me fazer desviar os olhos — e o coração. Dos amores tão eternos e das mortes tão inevitáveis o que a mim foi dado não poderia ser mais assustador: estava feliz.
Na inconstância das noites insones encontrei tuas pernas enroscadas as minhas. Em um mundo onde nada parecia estar no lugar certo eu estava no mesmo lugar que você e: adormeci.
Dizem que os apaixonados ficam cegos. Não, coração, o que acontece é tão maior do que quaisquer ditados populares. Nós nos tornamos uma e da mistura de duas vidas que se encontram e se confundem, desaparecemos.
Vivemos como uma e nos machucamos como tantas. Esqueci do que havia antes descoberto:  tão certo quanto o começo há o fim.
O silêncio abismal de quando nos abandonamos. Eu não continuava em você: eu era a tua pele, os teus cabelos, a tua carne. Eu era sua a falta de amor
por mim.
Os dias nos devorando enquanto nós, juntas nos abandonos diários, fingíamos que estava  tudo bem, obrigada.
Dois anos: a vida gritava alto fora do mundo de desprezo que havíamos criado. Dois anos: o céu clariava e o sol. Não o mesmo sol de quando a felicidade me pegara sem pedir.
O sol e, querida, o um outro amor me chama lá fora.