Páscoa.

Eu, atenta ao tempo que passa vagarosamente pela janela, escorrego para o canto da cama onde as formas do seu corpo me abraçam na sua ausência. Os domingos sempre me roubaram a capacidade d’enxergar o céu.
(E se a vida não fosse tão impermeável, molharia esse domingo com as lágrimas de outros tantos iguais e nos seu braços descansaria, finalmente, dessa exaustiva luta contra as lembranças de outras estações).
E sobre esse medo que carrego e pelo qual também sou carregada? Minhas feridas recusam-se a sucumbir a docura dos seus olhos: chocolate.