Raízes.

No esconderijo criado na intersecção dos nossos medos: eu.

Os meus olhos contém uma floresta destruída – essa terra onde a vida só será possível se suas mãos jamais soltarem as minhas. Folhas secas escondem os hematomas na minha pele branca – nessa terra vermelha. As chuvas, meu bem, entristecem essa visão desoladora: simulacro de como sou por dentro – cenários românticos onde tudo o que existe é essa praia cinza. Estive mentido para você há meses sempre que disse que havia deixado para trás os sentimentos turbulentos. Nunca fui consequência da tempestade – tenho como mãe a ventania.

Essas raízes que tocam a palma dos seus pés nas noites geladas que começam a chegar: o frio é a única realidade possível. As pontas dos meus dedos que por tanto tempo estiveram enterradas na terra. Foram anos glaciais.

(…)