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Chovia quando toda a cidade transformou-se em um amontado de contornos informes. Em meio a um mar de guarda-chuvas, sem ninguém a te guardar: você.

(Esses fenômenos sem explicação lógica que me açoitam a cada nova chuva.)

Está tudo molhado por aqui: paredes, janelas & olhos.  Chove há quatro dias e as noites são sempre impossíveis.  Os contornos, do sem foco de quando o óculos descansa no criado mudo, se fazem a sua imagem e semelhança. Nos campos molhados dessa cidade vazia: você.

Só o que queria te trazer era aquele retrato que perdi quando a chuva começou a cair. A nossa falta de foco, a nossa falta de rumo, a nossa falta de direção.

Mas quem disse que precisamos ter destino se para andar nos bastam os pés?


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