Sobre borboletas e areia.

O estudo da desordem organizada (teoria do caos) foi proposto pelo meteorologista Edward Lorentz. Ele desenvolveu um modelo que simulava no computador a evolução das condições climáticas. Indicando os valores iniciais de ventos e temperaturas, o computador se encarregava de fazer uma simulação da previsão do tempo. Em suas simulações, Lorenz imaginava que pequenas modificações nas condições iniciais acarretariam alterações também pequenas na evolução do quadro como um todo. Mas o que ele obteve de resultado foi o contrário, as pequenas modificações nas condições iniciais provocaram efeitos desproporcionais.

*

Aquela infinitude de partículas. Nossos pés desenhando os caminhos e as ondas e o esquecimento. Na primeira quarta-feira de outubro parei de sonhar. A escuridão primordial arrastou-se pela madeira do piso, agarrou-se nas cobertas, engatinhou para dentro dos lençóis egípcios e trouxe para cá toda aquela enxurrada de teorias, metafísica e ausência.

O mar e o mesmo pavor desde menina. Quando assistia documentários sobre a vida nos oceanos era o silêncio que me aterrorizava.  Em grandes profundezas não conseguimos enxergar nossas próprias mãos devido ao escuro denso e impenetrável, você sabia? Na primeira quarta-feira de outubro parei de sonhar.

As noites de horror, as caminhadas na praia, aquele beijo inesperado. Nosso caos desenha-se apoiado a minha loucura – ou apesar dela? Enquanto andamos o mar encarrega-se de apagar nossos vestígios. Nada poderia ser mais exato do que essa praia, esse vento e essa imensidão de areia. Mesmo que o caos tenha traçado nossos caminhos a escolha de permanecer foi nossa.

Somos todos feitos de areia.