Postal.


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Foi uma vida inteira escrevendo cartas de amor. Mesmo quando cartas de amor já haviam se tornado obsoletas. Mesmo quando o destinatário era tão vazio quanto o remetente. Mesmo quando não existia amor. Até que chegou um tempo onde não havia mais espaço para elas. A casa havia se transformado em uma espécie de correio triste. Ocupando todos os espaços estavam as cartas feitas para chegar e presas nessa transitividade sem objeto. Objeto que nunca ficou claro. Ou nunca existiu. O importante era a saída. Colocar no mundo mais do que dele tirei. Foi uma vida inteira esperando algo chegar. E mesmo quando algo chegava… Foi uma vida inteira esperando algo permanecer.

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