Incorpóreo é o desejo.


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Você me invadiu ontem à noite. Como se minha vontade de te ter por perto tivesse criado mãos e por elas eu tivesse sido destruída. Não há nada mais solitário do que dormir sozinha. Não há nada mais devastador do que não conseguir acordar.

Você me assusta. O que me tornei me assusta. Você me transformou em carne, eu que sempre fui vento. Escrevo-te e penso-te e crio-te e de repente não existe mais nada ao meu redor que não o desejo. Esse quarto, esses lençóis e essa cidade não existem mais. Cartas de amor tornaram-se impossíveis agora. O amor já não existia, mas isso nunca me impediu. O que mudou agora? Você me criou à sua imagem? Você me criou? Você.

As respostas me escapam e a imparidade das perguntas me fascina. A incerteza é a carne do meu desejo e o não saber será o meu gozo abissal.

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