Blütenschimmer.


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O encontro antecedeu a palavra. Falhei no trabalho de toda uma vida: o meu arfar em silêncio não seria possível em nenhum outro lugar. Era sexta-feira, talvez fosse sábado, e a cada toque agudo daquela campainha infernal minha boca me traia em verdades nimbosas. A única entrega possível sempre foi esta: sabê-la é trair a sua natureza.

A vida saia pelas frestas da janela e nem as mãos mais hábeis conseguiriam impedi-la. Aquela saída, aquele derramamento, aquele abandono. A vida saia pelas frestas da janela e essa saída me enriquecia. Quando aquela cidade se tornou extensão do meu corpo e o meu respirar tornou-se concreto o meu assombro desapareceu como se nunca tivesse sido nada além de poeira. Eram as flores que saiam daquele mausoléu abandonado: o encontro da sua pele com a minha me fez florescer.

O tempo se derrama agora. O tempo se derrama sobre o meu corpo em ondas quentes e vagarosas. E eu me derramo sobre o tempo. Do infinito que ressoou em cada palavra sobraram os meus suspiros fora de hora e o seu cheiro que só é possível se colado a minha pele.

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