Ártico.


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O relógio na parede marca as horas. O relógio na parede marca as horas e as sepulta. O relógio na parede marca as horas, as sepulta e as entrega ao completo esquecimento.

Nada está protegido da temporalidade inerente a qualquer experiência humana. São apenas ilhas provisórias de permanência. A única existência é aquela que vejo, que experiencio, que me devora. O arquipélago é impossível. Entre cada ilha, a eternidade. O descobrimento de algo novo condiciona-se a destruição do anterior. É preciso destruir as pontes. Elugelab se repetindo durante toda uma vida. É aquela bomba jogada sobre os álbuns de fotografia. Os destroços, a tristeza e o nada. O vazio do qual é preciso fugir e pelo qual somos possíveis. Não existiria a totalidade de uma existência se cada ilha abandonada continuasse presente. Seria impossível não sucumbir ao peso do que já foi vivido e agora nunca mais. Seria impossível não perecer diante esse mapa de eternidades abandonadas.

Em algum momento eu vivi naquela ilha. Em algum momento aquela ilha foi a única terra firme em uma imensidão erma. Em algum momento a hermeticidade daquele lugar me acolheu e me consolou. E em algum momento o mar a engoliu. O caminho entre a destruição e essa nova provisoriedade foi o respirar entre suspiros. O objetivo continua o mesmo: será no dia em que o mar se limitará ao seu caráter de paisagem, será no dia em que uma única ilha se tornará suficiente.

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