O amor foi vendido, relato do meu parto e puerpério.

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Acordei assustada. De repente. Levei a mão até o lençol, pisquei os olhos. “Acorda que minha bolsa estourou.”
“Começou.”, pensei ao me olhar no espelho e ver que tudo já tinha mudado, há meses, para sempre.
O primeiro ultrasom, eu sozinha. “Não precisa ir, não dá para ver nada, pode dormir.” Seis meses. Seis meses e meio. “O rosto está aqui, é menino.” Conhecer o amor da sua vida fará seu coração parar por um segundo, um dia alguém me disse. Era verdade.
Gerar uma vida. O poder do meu corpo de gerar uma vida silenciosamente enquanto eu ia às aulas, fazia compras, chorava uma tristeza inexplicável. Enquanto eu lia sobre teorias de aquisição da linguagem em mim um ser novo se formava para um dia falar, ler e amar. A vida não me pediu licença, a vida aconteceu.
“Parto normal, é claro.” Começaram as consultas do pré natal. Comecei a me deslocar do local social que sempre ocupei. Eu era mãe. Eu decidia por mim e por ele. Eu decidia? 
Entrei no mundo da obstetrícia brasileira. A cultura do medo da ‘pior dor do mundo’. As mentiras. ” Com 36 semanas vamos agendar a cesária se ele não virar. Já aviso que é muito difícil que ele vire, tá grande demais.” Sempre fui teimosa, do contra, chata mesmo. Conheci uma mãe mais chata ainda. “Tá louca? Foge dessa cesarista! Parir não dói assim não.” Fugi, com 34 semanas fui atrás de um médico que me respeitasse como uma mulher parindo seu filho. Superei preconceitos. Parir sim. Como bicho. Como fêmea. O poder do feminino de fazer a vida chegar nesse mundo do jeito que a natureza sempre quis. ” Que bom que você quer parto normal, não preciso te convencer.” “Ufa, amiga, achei meu médico.”
Roupas de bebê, chá de bebê, quarto do bebê. Vez ou outra um olhar de espanto ao dizer que faria parto normal. “Que coragem!” Não, é informação. Muita informação. Tanta que um dia minha mãe me disse que eu não falava de outra coisa. E não falava mesmo. Tem coisa mais incrível do que conhecer a força do seu corpo? A perfeição desse processo fisiológico que traria ao meus braços aquele que já chutava e se virava na minha barriga. 
Virou! Virou! Está encaixado. O tempo que não passava. Será que vai ser hoje? E hoje? O dia que ele escolher para vir ao mundo. A nossa hora, a hora em que nasceremos.
Foi no dia três de novembro. Já em trabalho de parto, com contrações ritmadas, fomos almoçar. “Não tá doendo tanto, não vai ser hoje”. Chegamos ao hospital. A não-dor foi sumindo e a dor chegando. Dancei, caminhei, fiquei horas embaixo da água quente. Assistimos um programa de culinária, comi um sanduíche. Às sete horas cheguei ao meu limite e pedi analgesia. De baixa dosagem, alívio. As contrações vinham a cada um minuto e meio. Às nove e meia a analgesia passou. ” Já está coroando, cheio de cabelo. Quando sentir que deve, faz força.” Doía. É claro que doía. Uma dor incrível. Gritos libertadores. “Me ajuda, me ajuda, me ajuda.” Mas ninguém nos ajudaria, nós não precisávamos de ajuda. Juntos, às nove e quarenta e cinco, chegamos ao mundo. Cheguei ao outro lado de tanta insegurança, medo e dúvida. Eu pari. A vida passou pelo meu corpo, só existíamos nós dois no mundo naquele momento. Direto para o meu peito, nos olhamos. Nos (re)conhecemos.Nunca chorar foi tão alegre e incontrolável. Foi tudo por ele. Foi tudo para ele chegar no mundo com paz, no momento certo e vir para o meu colo. Para que o cordão que por nove meses o nutriu só fosse cortado quando parasse de pulsar. Para que o banho fosse dado dias depois, só quando todo o vérnix tivesse sido absorvido. Para que a vida dele começasse com o menor risco possível, com o maior amor possível.
Sou mãe há quase dois meses. Logo quando Yuri chegou um amigo me disse sobre uma frase que tinha lido: “Quer fazer um ato político? Eduque um filho”. Digo mais: parir é, também, um ato político. O sistema tem que ser combatido. A mulher é a protagonista do parto. Não o médico, nunca o médico. A cesariana é incrível e, quando necessária, salva vidas. Mas vivemos em um país onde 80% dos partos da rede particular são cesarianas. 80% quando a Organização Mundial da Saúde recomenda que no máximo 15% o sejam. O sistema vigente mata mães e bebês. O sistema impele mulheres a fugirem do parto que, respeitoso e humanizado, foi o momento mais poderoso e lindo da minha vida. 
Ser mãe me impede de fechar os olhos para tanto dinheirismo, machismo e preconceitos em geral. Esse mundo é do meu Yuri agora e nele não pode existir lugar para o ponto de contato de tudo isso: o ódio. Nele não existe lugar para negar o que parir me ensinou:
ser mulher é político.

***

Segunda-feira. São quase seis e meia da noite, a hora em que consigo sentar no sofá e ligar o computador. Um olho na tela e outro no Yuri que cochila. A minha frente, meus livros. Preciso ler aquele que comprei dois dias antes de pegar o resultado positivo, talvez hoje à noite eu leia antes de dormir. Mas a casa, o jantar, a louça, o banho, o sono.
Tenho estado muito triste. O meu puerpério foi feito de lama. Baby blues? Baby escuridão, baby abismo. Ninguém fala sobre isso. Ou talvez falem, mas têm coisas mais importantes o enxoval, o parto, o nome, o nome, qual vai ser o nome? Tive pouco mais de três meses para percorrer um caminho que nunca imaginei que fosse percorrer. Não naquele momento, não daquele jeito, quem sabe um dia, depois dos trinta, depois do mestrado, depois do doutorado, depois de aprender a viver, depois de descobrir quem eu sou.
Eu não nasci para ser mãe. Não penso que alguma mulher nasça com essa predestinação suprema, mas existem aquelas que encontram nisso sua motivação de continuidade, que se preparam, que amam a ideia antes dos fatos, antes da carne. Nunca fui assim.
Os pouco mais de três meses passaram, o parto – e que parto poderoso! – passou e então éramos nós dois: Yuri e eu.
Um bebê de quase quatro quilos que olhava para mim com olhos de quem nunca viu. Eu era mãe. Não, eu não era. Não ainda. Mas o mundo não reconhece construções. As pessoas não enxergam os processos necessários para se chegar a um resultado. Eu não enxerguei nada disso. Como parte desse mundo eu sabia que tinha que ser fácil, que o maior amor de todos, a devoção incondicional tinha que surgir instantaneamente e me transformar inteira. O mundo e eu estávamos completamente enganados.
Por nove meses eu o nutri e de repente eu não conseguia mais. Amamentar foi a tarefa mais difícil de toda a minha vida, e eu falhei. Yuri no meu colo, lindo, perfeito, no meu peito tentando sugar o que eu tinha para lhe oferecer. Eu tinha leite, mas amamentar não é leite. Eu tinha amor, mas maternar não é o amor que eu conhecia até aquele momento. O amor que eu conhecia e que naquele instante era só o que eu podia oferecer.
E eu? E o que eu sinto? – perguntei. Não importa para ninguém o que você sente. – responderam.
O tempo foi passando. Mamadeiras, fórmula, o maior sentimento de culpa que alguém pode sentir. Ser mãe é sentir culpa, eu li em algum lugar, e até pouco tempo atrás culpa foi tudo o que eu consegui sentir.
Como dividir o meu espaço emocional com outro ser? Dividir o corpo é fácil, é natural, é físico. Como abrir mão de todos os planos e observar em silêncio o meu filho dormir? Como aceitar o fim da minha mortalidade?, meu filho que dorme não me deixará jamais ter fim.
Yuri tem quase três meses. Há poucos dias assumi para mim mesma que eu preciso aprender a ser mãe, que um amor assim não vem fácil. Nunca quis que fosse fácil. Nunca quis cesária, chupeta, remédios, independência precoce. Mesmo antes de ser mãe, mesmo quando eu não sabia de nada, eu sabia que queria viver isso da maneira mais intensa possível e criar uma pessoa que será feliz e livre. Livre. Quando aprendi que ser mãe é também esse medo de não saber ser, essa imersão em tudo que já vivi, esse encontro comigo mesma e deixar para trás o que não nos servirá mais.
Tornei-me mãe quando entendi que mãe a gente se torna e que não existe transformação sem perda, sem luto, sem dor.
Estou aprendendo e não há culpa nisso.
Agora eu sou mãe, agora eu sou livre.

2.

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De qualquer maneira. De todas as maneiras possíveis. O futuro como um pássaro ferido que respira. Não existe nada mais forte do que estas sensações inexplicáveis. Palavras demais, eu sei. Palavras demais quando não existe língua para axiomas. Talvez se eu tivesse prestado mais atenção às aulas de matemática eu pudesse explicar melhor.

Só sobrou o silêncio. Só sobrou o tempo. Só sobraram todas as coisas do mundo.

Labrys.

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O caminho por entre as árvores sempre foi um labirinto. O frio e a neblina. O frio. Entre todas as mãos são as suas que afastam os galhos do meu rosto. O ar quente não pode ser a sua respiração. Os pinheiros sibilam. Ainda hoje, os pinheiros sibilam. Eu sempre choro quando passo por essa entrada à direita, mas meus olhos não podem saber da rotina quando meu coração avança quieto. Você já esteve aqui antes? A saída está no centro.

As farpas nas suas mãos são salgadas e meus lábios quentes fazem seu corpo tremer. Sem você eu já teria perdido meu único olho. Apenas ciclopes se apaixonam.

As sebes só deixam a luz do sol entrar quando chegamos ao centro. Não tem nada aqui, eu esperava algo magnífico. Seus braços entrelaçam meus ombros e eu esqueço de respirar quando me aninho no seu pescoço. A luz agora é forte demais, fechamos os dois únicos olhos.

Vês? Sim, é magnífico.

Fragmento.

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Talvez eu precise escrever sobre você,
quando você bateu na minha porta vestindo uma blusa manchada que me fez passar horas imaginando como podiam as marcas da chuva demorarem tanto para secar. Você estava seco, mas isto só percebi quando meu seios se comprimiam contra seu corpo magro. Você me odiou por meus cigarros e ficou há exatos quatro palmos de mim no sofá. À minha direita o tempo todo – como explicar que ter alguém à minha direita me deixa terrivelmente incomodada? -, assistíamos um programa sobre um menino portador de uma doença rara que se manifesta com a formação de um tumor enorme que toma conta de suas costas. Éramos você, eu e o menino tartaruga no primeiro dia do ano. Você não suporta ver sangue, esta foi a primeira coisa que aprendi a seu respeito. De todas as coisas que existem para serem conhecidas o primeiro fragmento da sua totalidade que consegui capturar foi este ao te observar desviando o olhar enquanto os cirurgiões de um hospital na Venezuela cuidadosamente extirpavam o tumor do menino.
A história do menino que deixou de ser tartaruga, do homem seco que não suporta ver sangue e da mulher que mentalmente conta distâncias no sofá.

Surdo e mudo.

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– A importância não está no que é dito, tampouco no modo com o qual você narra seus mundos. Eu te conheci plenamente quando a sua entonação, os seus gestos e os seus olhos se tornaram mais importantes do que suas frases rudes. Conhecer alguém é esmiuçar silêncios. Um constante exercício de topografia. No momento em que eu te escutei pude parar de ouvir suas palavras de vime.

O fim do ano, as cartas e a amiga.

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T.,

 
foi uma vida inteira escrevendo cartas. Quando era pequena eu ficava horas na biblioteca do meu pai tentando extrair algum sentido de livros russos, alemães, franceses. Eu já sabia ler e podia escolher algum dos tantos livros em português, mas não podia. O significado familiar nunca teve o mesmo apelo que o mistério. O sentido daquelas palavras não me pertencia e por isso capturá-lo se tornou a coisa mais importante na minha vida de criança. Neste momento apareceu o Outro. Meu pai se sentava ao meu lado e me presenteava com a compreensão que eu tanto buscava. O Outro tornou-se o mensageiro do sentido. Sendo guiada por Ele eu poderia alcançar o inalcançável.  
O tempo passou. A biblioteca do meu pai foi transformada em uma sala de TV pelas pessoas que compraram a casa na qual eu cresci. A biblioteca não existe mais e o Outro tomou novas formas.
Viver é, hoje, mais difícil do que ler livros em russo foi um dia. Viver é saber do mistério e tentar a todo custo desvendá-lo. A ajuda é obrigatória. Só com ajuda posso seguir tentando dar forma ao que antes era só silêncio. O mundo é estrangeiro demais. As pessoas passam por mim. As pessoas param ao meu lado. As pessoas vão embora. É aquela total intimidade seguida pelo completo desconhecimento. É o Outro que nunca chega ao fim do livro. É a história sem fim.
Neste ano eu senti como se estivesse me afogando. Eu alcancei o ponto mais profundo e de repente percebi que não sei nadar. Eu precisei de ajuda, mas a água que entrava com violência na minha boca me impediu de gritar. O meu não-grito não foi destinado a você. Não era para você que eu estava pedindo ajuda, mas foi você quem me ajudou.
Eu não queria que este ano tivesse acontecido. Eu por muitas vezes me senti mal por não poder te ajudar mais. Nunca quis te devolver nada. Não fiquei por perto porque era o certo a se fazer. Fiquei por perto porque era a única coisa a ser feita.
Eu não queria que este ano tivesse acontecido, mas foi este ano que me trouxe a ajuda que sei que precisarei em muitos anos por vir. Anos que eu desejarei, de novo, que não tivessem existido. E anos em que a felicidade se tornará tão pesada quanto o desespero.
Foi uma vida inteira escrevendo cartas de amor. Mas foi, antes de tudo, uma vida inteira escrevendo cartas a amores cujo fim, e somente o fim, justifica a força do seu começo. É muito fácil se apaixonar .É muito fácil escrever sobre esta paixão. Amar é o trabalho de uma vida inteira. Eu te amo porque amar é voltar para a biblioteca e pedir ajuda para entender o que não (me) faz sentido.
Estou aqui e estar aqui me faz compreender que a vida é aquela folha que cai na floresta e que se ninguém estiver lá para ouvir não fará nenhum som enquanto tomba. Minha vida, que é o barulho e não a folha, só existe porque existe alguém para ouví-la.
 
Amor,
 
N.

A floresta e o silêncio.

 

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Ele me olhou nos olhos e eu estava perdida.

-Você pode me amar. Você pode não me amar. São coisas que acontecem.

-Nada acontece. Nada nunca aconteceu. Está tudo dentro da sua cabeça.

– Existe algo mais real do que aquilo que está dentro da minha cabeça?

– Não posso te alcançar, nunca poderei.

– Inventarei o toque. Você me alcançará.

– Parece bom o suficiente.

– Não é.

Porque dizer tanto sobre o silêncio, Ele perguntou. Não, não, não. Foi tudo entendido errado. Não me fiz entender e tampouco posso agora me explicar. Ele levará consigo o avesso de mim. É melhor. Qualquer construção é melhor do que construção alguma. 

Ao lado da minha casa um prédio será construído. Lembra-se do terreno? Não existe nada além do terreno de sete milhões. Não existe nada e pessoas batem a minha porta perguntando sobre o sol da tarde em um apartamento com face norte. Um apartamento que não existe em um prédio que não está lá. Você compraria algo que não existe? Se fosse um bom investimento. Você investiria em algo sem poder tocar suas paredes? Sua infantilidade me diverte. Não existe nada de infantil em querer tocar paredes.

Não escrevo sobre o silêncio. A palavra está presente em tudo. Não venço um parágrafo sem usá-lo como referência, ou exemplo, ou matéria. Mas não é o silêncio, nunca foi. É o amor. Amar é o único silêncio possível. É o único silêncio pacífico. Não se pode escrever quando se ama. Não se pode falar quando se ama. Não se pode viver. Estaríamos além da comunicação. Seria uma tarde de verão nos primeiros dias do ano. Você me pegaria pela mão e me guiaria até o quarto. Deitaríamos na cama e você, em silêncio, me olharia nos olhos. Neste momento estaríamos perdidos.

Mas tudo não passa de um jogo de possibilidades. São coisas que acontecem. São coisas que não acontecem. Você não consegue passar cinco minutos em silêncio. Você me interrompe em todas as nossas conversas, sua verborragia é patológica. Escreve sobre o silêncio e impede sua existência violentamente. Por que não falar de amor de uma vez? Seria mais simples. É por isso que tenho medo do mar. Fale mais alto, medo do quê? Nada. É por isso que eu tenho medo.

– Eu vou embora.

– Vá.

– Não consigo.

– É só andar para longe. Um pé, depois o outro.

– Nunca mais nos veremos. É preciso que permaneçamos para sempre longe.

– Estar longe não é físico.

– Estar perto também não.

*

A floresta Aokigahara, no Japão, é conhecida pelo elevado número de suicídios que lá acontecem. É considerada o lugar mais comum para suicídios no Japão e o segundo do mundo, perdendo apenas para a ponte Golden Gate, em São Francisco. A popularidade da floresta como lugar de suicídios surgiu em 1960 quando foi lançado o livro Mar de Árvores, de Seichō Matsumoto, onde em um final trágico dois amantes tiram suas vidas na floresta. 178 corpos foram encontrados na floresta entre 2002 e 2003. Desde então o governo japonês criou medidas de prevenção que incluem a colocação de mensagens de alerta com números de telefone de centrais de ajuda aos suicidas nas entradas da floresta. Um fenômeno comum para os guardas que patrulham a área é achar barbantes enrolados às árvores, criando uma espécie de rota. A floresta abrange uma área de 35km² e se perder nela é muito fácil. Os guardas explicam que algumas pessoas ainda tem dúvidas quanto a se devem ou não colocar fim as suas vidas e usam esse barbante como um meio de achar o caminho de volta caso escolham viver.